Cerca de 300 índios de, pelo menos, seis etnias ocupam desde a manhã deste domingo o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Dardanelos, em Aripuanã, no Mato Grosso. De acordo com Antônio Carlos Ferreira de Aquino, coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), cerca de 100 funcionários da obra são mantidos reféns.
Segundo Aquino, a obra da hidrelétrica começou há cerca de três anos. Devido a uma falha no processo de licenciamento, a usina foi construída sobre um cemitério indígena e os índios vêm negociando uma indenização. Como a usina fica a 30 km da reserva, os índios afirmam que a construção causou forte impacto social e cultural na comunidade, além de prejuízos ambientais, por conta do afastamento dos animais para caça.
Os índios pedem, segundo Aquino, a presença de representantes do Ministério de Minas e Energia, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, do Ministério Público, da Funai, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e das empresas responsáveis pela hidrelétrica para negociar a indenização.
Paulo Rogério Novaes, gerente de Meio Ambiente da Águas da Pedra, empresa responsável pelo empreendimento, contou que a energética aguarda a aprovação de um programa de ações para a comunidade indígena. Ele disse ainda que a previsão é de que a hidrelétrica entre em operação em janeiro de 2011.