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AGRONEGÓCIO

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Produtor não se sente feliz em Mato Grosso

O princípio de uma provável “debandada” de produtores para a África tem uma explicação lógica: infraestrutura precária, inexistência de política agrícola de longo prazo para o setor, pressões ambientais, problemas fundiários e trabalhistas, insegurança jurídica, endividamento rural e logística deficiente.

“A verdade é que o ambiente de produção no Estado não é dos melhores e o produtor está insatisfeito com toda esta situação. Aqui a renda é ruim, o produtor é ameaçado porque não consegue pagar suas contas e ainda é tachado de bandido”, critica Ricardo Arioli, coordenador da Comissão de Sustentabilidade Socioambiental da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT).
Ele acredita que o clima de desestímulo que tomou conta dos produtores mato-grossenses pode levar muitos a abandonar suas atividades no Brasil e partir em busca de um novo eldorado.
“Na África falta alimento e a realidade é completamente diferente. O tratamento é melhor e o produtor é visto com bons olhos. No Brasil, onde está sobrando [alimentos], a nossa imagem é outra, somos tratados como vilões”.
Arioli diz que o lugar [aqui] é ótimo, mas o ambiente é péssimo. “Se o produtor de Mato Grosso estivesse feliz, sem pressões de todo lado, certamente ninguém estaria procurando outro local para investir e trabalhar. Acredito que pode haver uma fuga de produtores, como já está começando a acontecer. Aqueles que tiverem condições irão com certeza em busca de alternativas, de outros lugares onde possam trabalhar em um ambiente melhor e sem perseguição”.
Ele vê como “normal” um investidor migrar para outra região que tenha menos problemas ambientais e onde o produtor é melhor tratado. “É uma coisa ruim e um equívoco. Mato Grosso está dentro da lei, os produtores estão dentro da lei. Só desmatamos o que é permitido".
Levantamento da Aprosoja/MT mostra que o Estado possui aproximadamente 8 milhões de hectares destinados à agricultura e que essa área poderia praticamente dobrar dentro da legalidade. De qualquer forma, o presidente da entidade, Glauber Silveira, entende não ser necessário abrir novas áreas. “Mato Grosso conta com 61% de sua área ainda preservada. O nosso objetivo não é aumentar área, mas trabalhar as já abertas e melhorar a infraestrutura”, diz ele.
Na opinião do produtor Ricardo Ticianelli, está ficando cada vez mais difícil trabalhar com as leis ambientais atualmente em vigor. “O governo federal precisa regulamentar o código florestal. Cada estado deveria ter sua legislação própria”, defende. (Marcondes Maciel - Diário de Cuiabá)