O auditório ficou lotado. Mais de 200 pessoas demonstraram o interesse da comunidade em conhecer as propostas dos candidatos e discutir as demandas do município. Em seu discurso, Taques destacou as funções de um senador e o que poderá fazer no cargo para colaborar com aquela população.
Como forma de exemplificar a má gestão do dinheiro público na educação em Mato Grosso, Taques citou um dado que em nada orgulha o povo de Paranatinga. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a Escola Estadual Osvaldo Pereira foi considerada a segunda pior em ensino do país. Para ele, é função do senador fiscalizar o uso do dinheiro público. “Vou assumir o compromisso de honrar o voto de cada um e ser implacável na fiscalização do uso do dinheiro do contribuinte e na formulação e aplicação das nossas leis”, falou o candidato a senador.
Na plateia, o salgadeiro Eronizio Francisco Alves, de 64 anos, ouvia atentamente o candidato. Durante o evento contou a Taques que todos os dias, com sua bicicleta, percorre as ruas da cidade vendendo os salgados que sua esposa, dona Ana Maria, fabrica em casa. O casal está em Mato Grosso há nove anos e por este período sofre com a falta de hospital e escolas de qualidade no município. Ele também reclamou da poeira gerada por conta das ruas ainda não pavimentadas. “Estou desacreditado em políticos”, declarou Eronizio. “Eles vêm em épocas de eleição, prometem um monte de coisa e só voltam depois de quatro anos”, desabafou.
Mas o salgadeiro viu em Taques uma esperança. Ao final do discurso do candidato a senador, Eronizio pediu licença para se manifestar. “Gostei muito do que o senhor falou e vou levar suas palavras a todos as pessoas que conheço”, disse. “Mas não espere moleza não, porque vou instituir uma comissão aqui na cidade para acompanhar seus trabalhos lá no Senado”, anunciou. “Se prepare que vai vir ‘chumbo-grosso’ pra cima do senhor”, avisou Eronizio.
Taques não se intimidou com a abordagem. “Esse é o papel da sociedade em uma democracia”, comentou o candidato, em tom de aprovação ao que tinha acabado de ouvir. “E não se preocupe Eronizio, porque estou acostumado com ‘chumbo-grosso’, pois vivi por mais de seis anos ao lado de seis policiais. Eles me protegeram de ameaças de morte porque lutei para defender Mato Grosso da corrupção e do crime organizado”, lembrou Taques, discorrendo sobre sua biografia enquanto Procurador da República. “Estou preparado para ser senador e quero receber cobranças todos os dias pelas minhas ações e pelas minhas posturas” finalizou.